Eu sei que você não vai ler tão já, mas mesmo assim escrevo.
Li a Caros Amigos que chegou em casa semana passada e me emocionei com um texto. E senti muita vontade de ler pra você, vontade de ter aquelas conversas nossas de banheiro, enquanto tomo banho. Coloquei a tv no quarto e a cachorrinha dorme no meu pé toda noite, porque a solidão bate forte com você no interior e Nara na praia. Ontem, assistindo o CQC quase pensei que depois de qualquer piada fosse ouvir sua risada. Mudei a posição dos móveis da sala, não sei se gostei, mas os dias todos me dizem que o que está errado é você não estar no balanço. Hoje no fim da tarde conversei bastante com a Taty em espanhol e me matei de rir quando disse que precisava sair do msn e lavar a louça porque a pia estava muito suja: me voy a fregar los platos, hoy mi pica esta muy sucia. E eu sigo me divertindo e achando que a vida sempre vale muito a pena com essas tonterias todas...
A falta que sinto de você está acalmando, incorporando ao meu corpo. Penso que até outubro, a saudade vai virar um pedaço da minha pele.
Um beijo,
Tatit
terça-feira, 22 de julho de 2008
Amorzó,
terça-feira, 15 de julho de 2008
Minhas meninas,
Desculpem a ausência, é que a vida anda atribulada, eu ando ainda mais atribulada. Com essa greve dos Correios fiquei com preguiça de escrever, sabia que ia demorar a chegar a vocês e fiquei achando que quando as palavras chegassem eu já não seria mais a mesma que as escreveu...
O aniversário foi bom, amigos ao redor, tantos telefonemas, recadinhos, mensagens de celular mas eu estava mesmo em outro lugar. Disseram que agora meu ascendente ia dominar tudo, aí uma amiga fez meu mapa astral e eu fiquei sabendo o que é um canceriano com ascendente sagitário. Acho que não sou eu não ali naquelas linhas com estrelas e planetas. É que ando me achando mais canceriana que nunca, entendem? Eu nunca fui ligada nessa coisa de signos, de horóscopo, mas devo estar entrando no processo de me descobrir de novo. Deve ser bom isso.
Comecei no trabalho novo. Não tive medo de largar o outro, senti até um certo alívio. Pena que as coisas não sairam todas como eu gostaria, as pessoas podem se mostrar muito mesquinhas e, pior, no fundo eu sabia que elas eram assim, só não quis acreditar. A mania de achar que todo mundo é bom. Eu sempre me lasco, mas prefiro assim. Melhor que ficar paranóica e desconfiar de cada sorriso ou gesto bacana que tenham comigo. Deve ser ruim viver assim.
E vocês?
Jana, como é viver nesse país tão lindo? Eu sempre tive vontade de conhecer, acho que iria pirar com as pessoas, as roupas, os rituais. Ia morrer de tirar foto das coisas. Aliás, tou pensando em fazer um curso de fotografia e comprar uma máquina semi-profissional. Olha o perigo que vai ser isso. Conta pra mim como são as ruas, como é o cheiro e as pessoas?
Brizoca, minha amiga achou um apê aí em Boa Viagem, lá na Rua dos Navegantes. Ela vai, cheia de medo e expectativa. Tu fica amiga dela? É das melhores pessoas e tá jogando tudo pra cima pra viver o amor. É bom isso, sabe? Eu fiquei lembrando de quando eu vim morar aqui com Marcelo, eu não tinha medo, só de que acabasse e que bom que continua! A gente tá tão feliz, construindo as coisas, fazendo planos para morar numa casinha, pintar tudo colorido e eu plantar um jardim. Eu sei que demora, mas tem sido bom pensar nisso. E teu menino, e tua casa?
Tatit, tá mais perto que longe da gente ir te visitar. Só deixando passar a correria no trabalho novo, acostumando com a rotina e colocando as coisas em ordem. Eu gosto da equipe nova e do meu computador cheio de trique-trique. O ruim é que não tem nenhum lugar bacana para comer por perto, aí eu sofro no almoço sem minhas saladas e nas tardes sem um sonho de valsa. O jeito vai ser trazer de casa. Quero ver durante a TPM, vou tazer é barra de chocolate de um quilo pra ver se melhora o azedume que se apossa de mim.
Agora eu preciso ir, mas, promessa, vou escrever logo. Tava pensando aqui, vamos nos mandar postais? Ou uma fotinha de cada uma num lugar bacana da cidade que a gente goste muito, ou que vá com freqüência. Bora? Eu ia adorar!
Um beijo em cada uma.
Van
terça-feira, 13 de maio de 2008
Some girls are bigger than others
Sempre gostei de confiar segredos, meus tesouros. Talvez seja essa a minha mais ativa subversão. Gosto de aventura, de correr perigos. Mas antes do início do processo de doação para o outro há sempre um estudo daquele a quem pretendo confiar os recortes da minha vida. Não é nem um pouco aleatório. E te escolhi, e desconfio até de que já faz algum tempo. O motivo? Eu não tenho certeza, mas diria, se estivesse respondendo pessoalmente, que era culpa de sentimentos próximos, irmãos. A busca do apoio no outro a partir da dor ou da alegria em comum. Porque essa coisa de sentir aproxima demais as pessoas.
Te puxo, vez ou outra, como pipa que quer se soltar. Puxo e só me dou conta depois. É movimento quase involuntário. Reflexo. Não que tenha que dar certo, não que você volte ou desista de ir. Mas puxar faz parte dessa minha natureza.
Tem relação que começa a partir do fim de outra, ou de outras. Aí penso que os encontros são sempre muito possíveis. Tão possíveis quanto as pessoas se perderem dois minutos depois. Por isso mantenho a minha expectativa, espero uma cerveja com risada e fragmentos sutis de segredos. Até podia haver choro, mas tudo é muito novo. E tudo que é novo, ou é bom, ou é ruim, ou insoso. Não tem como ser tão intenso ou grave. Tá me entendendo?
Ouço a mesma música mil vezes. Smiths ecoando baixinho.
Send me your pillow, the one that you dream on,
and I'll send you mine...
Uma carta tão grande e não disse nada do que queria.
Me perdoe.
Com carinho,
Tatit
quarta-feira, 30 de abril de 2008
Tatit, Van e Briza,
As Cartas foram aos poucos me trazendo esse desejo de escrever de novo. E ainda que vocês não me conheçam, eu tenho lido tanto o blog das três, além deste aqui, e já adoro tanto, que me sinto de certa forma um pouco íntima de Van e Briza. Tatit carrego comigo sempre como uma mão, um olho, uma perna. Não, Tatit, nunca vai ser para mim menos que um pedaço de mim mesma.
As cartas de menina que foram silenciando com o tempo, e de que Tatit é testemunha, renasceram para que eu continue proclamando quase solenemente o amor que sinto pelos meus seres queridos.
A gente não pode silenciar mesmo, porque, dentro e fora, tudo continua gritando, esperneando, sacudindo e descascando as feridas. E amizade é coisa que não acaba, é órgão importante, não é apêndice, e de vez em quando inflama, só pra que a gente não esqueça de cuidar.
E escrevo também porque daqui tudo parece menos deformado, e por isso mesmo aqui a tinta desbota, a máscara cai, e o corpo envelhece depressa. Nesse país distante, onde eu me sinto completamente estrangeira, quase imersa em um universo paralelo, olhando pra dentro demais, eu preciso vir à tona para enxergar, compartilhar e tocar as mãos daqueles que seguram o olhar, já que estou rodeada dos que fogem. Agora entendo melhor que dentro da gente não existem respostas, só no olho do outro, nas palavras do outro é que a gente entra em comunhão com o mundo.
É assim que começo, pedindo licença, como se faz no lugar onde nasci.
Amor,
Jana.
quinta-feira, 24 de abril de 2008
Minha moça linda das sardas,
Faz tempo que não escrevo carta, nem scrap, nem depoimento, nem e-mail, nem passo horas falando no msn ou no talk do gmail. E não foi uma vez só que você me chamou pra me perguntar coisas, pra me perguntar se ainda amo. Amo, um amor do tamanho do mundo, VanVan, e te penso todos os dias da minha vida. É que ando sem tempo, sem pensamento rápido pra digerir tudo o que preciso e fazer outras coisas. Sinto que meu tempo é outro. O ingresso pra escola de jornalismo esse ano foi coisa bacana demais na minha vida. Lembro da gente no jardim da dona sogra falando de sonhos e fazendo planos de estudar juntas, na UECE, Letras. Lembra? Nunca me esqueci. E hoje são tantos livros, tanto texto pra produzir e agora vivo me esbarrando nas minhas limitações. Já me achei burra, já pensei que minha área é o teatro mesmo - não por ser verdade única e limitadora , mas por poder permanecer na zona de conforto. O curso da UMESP é ótimo, super prático, bem direcionado para o mercado de trabalho mesmo, desde o 1º semestre. Mas sinto que fica meio capenga na parte teórica, por isso corro atrás de ler diariamente as referências, os livros que não são exigidos, mas que muitas vezes na conversa pós-aula os professores indicam. Penso em começar a preparar a partir do próximo semestre uma iniciação científica, sobre como os movimentos populares e/ou culturais se comunicam com o marxismo teórico. Tô apaixonada sim, envolvida. E isso é motor de mim, que tu bem sabe.
Sábado e domingo próximos tem Virada Cultural, sexta-feira vou no show da Rita Lee. Vou ser bem feliz. Talvez mude de casa em breve, e você nem Marcelo vão conhecer minha casinha com balanço no meio da sala. Nem Briza, que diz sempre que quer vir, mas nunca vem. E eu fico assim, com saudade de tudo, com saudade de todo mundo.
Tenho que ir lá fazer a prova de hoje, o conteúdo é de pequenas inutilidades.
Amor maior do mundo pra você,
Tatit