terça-feira, 25 de março de 2008

Tatit,
Faz tempo, tu me pergunta de mim e não respondo. Mas, é que o tempo tem andado apressado e eu não tô lá essas coisas. Há uma semana, ando meio doente, sem saber direito de quê. Enjoada, com dor de barriga e de cabeça. Fiz uma listinha dos motivos para e são muitos: pressão baixa, comidinhas fora de hora e o calor de matar que faz nessa cidade, mesmo quando chove (e tem chovido, dia-sim-dia-não). Só tenho dormindo lá pelas 2h da manhã e acordo cedo, o que também não ajuda. Aí, assisto muitos filmes. Não tenho conseguido me concentrar o tanto que é preciso pra ler. Vi Dois Dias em Paris no domingo e é uma delícia. Sabe quando termina o filme e tu se sente muito apaixonada, muito romântica, muito saudosa? Pois então. Rompantes de ternura. Nisso eu tenho fé.

Amanhã, é meu aniversário. Mas, não quero pensar nisso. A última festa assim pra valer mesmo, foi em 2005. É que teve um show de Nando Reis lá em Maracaípe e eu fiz uma excursão com queridos pra lá. O som tava uma merda e chover pra caralho, mas ainda assim. Foi dos dias mais felizes de uma vida inteira. Depois, não deu mais certo. Não sei porque e também não é coisa com a qual me preocupe. Aliás, tenho me preocupado cada vez menos. O que é uma vitória. Naquele sentido de viver as coisas simples e estar bem, de que tu fala. Tenho entendido assim perfeitamente.

No fim dessa semana, vou pra casa nova. Tá tudo prontinho já e é feliz que só. Falta comprar um sofá, que ainda não decidi se branco, preto, laranja ou vermelho. O que é que tu acha? Se tivesse espaço, colocava um balanço na sala também! Mas, é bem pequenininho e chega a ser difícil arranjar um lugar pra cada coisa. Caio tá todo animado e segue a filosofia faça-você-mesmo. Eu acho graça. Não to acostumada, sabe? Aliás, não to acostumada com um monte de coisas, mas é pra isso mesmo que a gente tá nessa vida, né? Pra aprender.

Agora, preciso ir. Tem almoço-de-pré-casamento de amiga. Vou comer um franguinho grelhado... Nhé!

Amor pra tu.
E saiba que te penso sempre, sempre.

Briza.

segunda-feira, 17 de março de 2008

Rodrigo,

primo querido, sonhei com você essa noite. Era tão real, as nossas brincadeiras, as risadas e a cumplicidade, tudo ali, junto, na sala da casa de sua mãe... aí acordei com a droga do despertador. Ainda tentei dormir mais uns minutos, mas o censo de responsabilidade e a lembrança das coisas a fazer me forçaram a levantar nesse dia nublado e feio. A vida por aqui anda boa, um pouco corrida demais, mas diria que no geral, tá boa sim. Mainha chega hoje aqui, a convenci a passar a Semana Santa comigo. Tu conheces a peça, não queria vir, fez um doce, reclamou, não queria dar trabalho, eu mandei se lascar - eu e minha delicadeza - comprei as passagens de avião e ela embarca à noite. Vamos passar o feriado numa cidade de serra aqui chamada Ubajara, cheia de trilhas, com bondinho, igrejas bonitas na região pra ela visitar, beata do jeito que é e uns restaurantes com licores diversos, tou toda animada. Vai ser programação bem família, vamos levar João e a minha sogra. Vamos ver como será essa interação. Eu, na TPM. Tem medo? Eu tenho.

A irmã fuleira não vem, as amigas vão passar dias em Maceió e ela fica para recebê-las. Depois tenta falar com ela mandar um email, passou por maus bocados há alguns dias. Ah! Não sei se você soube, mês passado a magrela conversou com mainha sobre aqueles assuntos. Foi. Ficou tudo bem. Mainha é mesmo uma guerreira. Entendeu tudo. Acho que se eu for mãe um dia quero ter isso dela, de valentia, ficar do lado das filhas sempre sem nem fraquejar. Mas vou querer que meus filhos me dêem menos trabalho do que eu dei, afe, eu tenho saúde não.

Nem te contei, fui a Recife depois do carnaval, visitei Tia Dalila e Tia Maria. Há tempos não as via e tinha prometido a titia que quando fosse iria até lá. Ela não acreditou e chega se assustou quando eu cheguei. Reclamou que estava com os cabelos escuros e me mandou emagrecer. Já pintei de vermelho só falta perder uns 5478 quilos pra ficar tudo certo. E tu? Vem quando? Saudade do tamanho do mundo. Muitos planos aqui, estou montando a minha empresa em sociedade com uma amiga de Recife. Vou com calma, aos poucos e vai dando certo. Continuo no emprego e vou levando as duas coisas em paralelo. Estou animada e feliz. Quer vir me ajudar não?

O casamento vai bem, obrigada. A cada dia me dou conta do quanto cresço com essa relação. Ele é mesmo o amor da minha vida. Depois de tu, é claro. Porque tu sabe, ele é meu nêgo, mas tu sempre será meu neguinho. Muito amor pra ti e me escreve logo. Em português, tá, porque essa tua vida nos states te deixou esse mal hábito de escrever assim, estrangeiro, e eu gosto de tu é tupiniquim.

sábado, 23 de fevereiro de 2008

Rayo,

nesse momento, eu tô em algum lugar entre Recife e Fortaleza. Do meu lado, tem uma menina com teu jeito, tão novinha e tão compenetrada. Anota tudo. Não sei se pra alguém ou pra ela mesma. Acho graça e fico aqui me roendo de curiosidade. De soslaio, li: "sentir é melhor que comunicar". Escrito com letra inclinada pra direita, feito a minha. Uma hora, ela foi ao banheiro de deixou o bloquinho na cadeira. Deu vontade de pegar e olhar. O moço na janela tá dormindo desde o começo do vôo, nem ia notar. Mas, me faltou coragem. Fora que é uma quase-maldade. Imaginei que se tu tivesse aqui, ia dizer: "Não, Briza, isso é errado".Tu que é dona de tantas certezas aos 22. Na verdade, acho que é por isso que tu tem todas elas. Mas, esse é outro assunto. Pra outra hora. Tava era pensando no teu casamento e me deu foi um frio na barriga. Por tu, sabe? Porque tu é tão menininha e é uma responsabilidade tão grande, uma entrega tão grande, dividir a vida assim com o Outro. Não que não seja bom, é uma delícia. Mas é difícil que só, QUE SÓ. E exige uma maturidade tão grande, linda. Eu não tive. E só hoje sei que não. É claro que passei por problemas que tu não vai precisar enfrentar. Mas, haverão outros. E é importante que tu não deixe teu amor de lado pra cuidar da vida. É importante prestar atenção. Muita, muita atenção. Olhar menos pra dentro e mais pro que tá a tua volta. E ter paciência também. Vixe, muita paciência. Porque são meninos, eles. Aliás, somos meninos todos. Tentando e tentando acertar. Eu acho que lá no fundo, tu sabe de tudo isso. Mas, quis dizer mesmo assim. Eu acredito que é possível ser pra sempre. Desejo até. De todo coração. Mas, sei que mais do que um sentimento, é uma escolha e que precisa ser feita todosantodia, amém. Eu tenho a maior fé em tu, em vocês.

Amor,
Briza.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Dindinha pra Dondinha.

Ontem quando saía do show da Ceumar tive uma certeza: chegaria em casa e te escreveria e contaria tudo o que vi. Não a certeza do ato, mas a certeza da motivação, do impulso, da vontade, aquela coisa que dá e a gente nem pede.
Você foi a segunda pessoa que disse que eu tinha qualquer coisa de Ceumar, cabelos, vozes e pés no chão. A primeira, foi lá em 2001, e eu só conhecia uns Pecadinhos dela, que eram de Zeca Baleiro, nem dela eram. E Dindinha. Só que a primeira pessoa era um amigo que me conhecia ao vivo, me ouvia cantar, acertar as notas e desafinar, arranhar o violão, gritar de raiva e paixão. Mas você, como você me descobriu assim? Um quê de Ceumar? De onde veio esse quê que chegou até aí? Aí penso que coisas como sintonia e entendimento podem aparecer de qualquer maneira. Olhando, lendo, vendo foto ou tendo o movimento, tanto faz. A gente pode sim captar o outro. De um montão de jeitos.
Mas queria te contar das imagens projetadas no palco mudando a cada música, a iluminação perfeita, as folhas secas no chão, Dante Ozzetti dando o tom Dante-Dante-Dante pra todas as músicas, os pés de Ceumar de fora. E aí fica a impressão de que Ceumar é toda tão de fora quando canta... Tá me entendendo? Eu sei que sim. A produção tão simples do show de ontem, que foi inclusive, gravado pela TV Sesc, me emocionou. Tudo foi lindo. Platéia quietinha, de fim de domingo. Eu era uma das únicas que batucava nas pernas com as mãos e me sacudia na cadeira.
Esse novo álbum - Achou! - demorou no meu entendimento. Eu que já estava acostumada com uma Ceumar chacoalhando tudo nas músicas, perceber uma quase Ná Ozzetti causou um estranhamento na primeira vez que ouvi. Mas depois, percebendo uma música aqui, pinçando outra ali... menina, quanta delicadeza!
Na platéia, quase do meu lado, Luiz Tatit, o compositor de boa parte do repertório desse novo cd. E isso explica a semelhança com Ná. Dante nos arranjos também colabora bastante pra esse tom mais lentinho, quase "mais introspectivo" como Ná, mas não chega a ser.
Eu queria que ouvisse Alguém Total. Partidão. Prá Lá. E me dissesse, quando quisesse, quando desse vontade, o que te tocou. Já te avisei, é uma Ceumar diferente.

Promete que me conta?

Te mando uma foto (que tirei encabulada lá do meu lugar, muito muito discretamente - porque não gosto de desobedecer esses não-podes, não gosto de burlar esse tipo de coisa, porque senão vira coisa normal não respeitar essas proibições, vira esculhambação, o povo se empolga e daqui a pouco tá todo mundo deixando os artistas do palco como Huskis Siberianos zonzos de tanto flash na cara... não acho legal, de verdade).
Nem ficou boa. É só um recorte. Espero que goste.



Um beijo, minha Dondinha,
sua Dindinha.

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Minhas lindas,

Saudade.

Faz tempo que não escrevo, né? Faz tempo que ninguém escreve. Aí, Tatit disse que a gente podia mandar bilhetinhos pelo menos. Pois então.

Ainda estou me recuperando das festas de fim de ano. Não das festas em si, mas de todos os tantos sentimentos relacionados às mesmas. É que é muito tudo. Uma mistura de euforia e melancolia, que nunca dá certo. Ou dá. Porque continuamos aqui, firmes e fortes. E prontos pra mais um Carnaval. Ah, o Carnaval, o Carnaval.

Tu devia vir encontrar a gente, Tatit. Vanvan chega dia 20, que é quando começa MEU Carnaval. Assim, oficialmente. Porque sexta passada já fui pro Ensaio de Abertura com Naná Vasconcelos e três nações de Maracatu. Bonito que só. Tava cheio de gente e o clima já era dos dias de Momo. No sábado, a gente foi pra Casa da Rabeca e viu uma dança do Maranhão chamada Tambor de Creoula. Adorei, adorei, adorei. As moças têm umas saias lindas, que já quero copiar pra fantasia. Só preciso arranjar uma costureira boa e barata.

Ainda não me mudei pra casa nova, por falta de verba. Falta comprar isso e aquilo. Falta levar umas coisas do outro apartamento pra lá... Mas, agora tá mais perto que longe e eu fico morta de ansiosa por causa das responsabilidades. Acho que vocês entendem. As duas.

Ei, depois vocês vêm me visitar? Já pensou, nós três tomando café e falando da vida, num mesmo DDD? (Tô pensando em ir pra Sampa, Van. Lá pra maio ou quando conseguir tirar férias. Bora?)

Ia contar aqui das minhas resoluções de ano novo, mas isso nunca dá certo mesmo. Então, a gente vai conversando no caminho, que assim é melhor.

Amo vocês.
=*