sábado, 23 de fevereiro de 2008

Rayo,

nesse momento, eu tô em algum lugar entre Recife e Fortaleza. Do meu lado, tem uma menina com teu jeito, tão novinha e tão compenetrada. Anota tudo. Não sei se pra alguém ou pra ela mesma. Acho graça e fico aqui me roendo de curiosidade. De soslaio, li: "sentir é melhor que comunicar". Escrito com letra inclinada pra direita, feito a minha. Uma hora, ela foi ao banheiro de deixou o bloquinho na cadeira. Deu vontade de pegar e olhar. O moço na janela tá dormindo desde o começo do vôo, nem ia notar. Mas, me faltou coragem. Fora que é uma quase-maldade. Imaginei que se tu tivesse aqui, ia dizer: "Não, Briza, isso é errado".Tu que é dona de tantas certezas aos 22. Na verdade, acho que é por isso que tu tem todas elas. Mas, esse é outro assunto. Pra outra hora. Tava era pensando no teu casamento e me deu foi um frio na barriga. Por tu, sabe? Porque tu é tão menininha e é uma responsabilidade tão grande, uma entrega tão grande, dividir a vida assim com o Outro. Não que não seja bom, é uma delícia. Mas é difícil que só, QUE SÓ. E exige uma maturidade tão grande, linda. Eu não tive. E só hoje sei que não. É claro que passei por problemas que tu não vai precisar enfrentar. Mas, haverão outros. E é importante que tu não deixe teu amor de lado pra cuidar da vida. É importante prestar atenção. Muita, muita atenção. Olhar menos pra dentro e mais pro que tá a tua volta. E ter paciência também. Vixe, muita paciência. Porque são meninos, eles. Aliás, somos meninos todos. Tentando e tentando acertar. Eu acho que lá no fundo, tu sabe de tudo isso. Mas, quis dizer mesmo assim. Eu acredito que é possível ser pra sempre. Desejo até. De todo coração. Mas, sei que mais do que um sentimento, é uma escolha e que precisa ser feita todosantodia, amém. Eu tenho a maior fé em tu, em vocês.

Amor,
Briza.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Dindinha pra Dondinha.

Ontem quando saía do show da Ceumar tive uma certeza: chegaria em casa e te escreveria e contaria tudo o que vi. Não a certeza do ato, mas a certeza da motivação, do impulso, da vontade, aquela coisa que dá e a gente nem pede.
Você foi a segunda pessoa que disse que eu tinha qualquer coisa de Ceumar, cabelos, vozes e pés no chão. A primeira, foi lá em 2001, e eu só conhecia uns Pecadinhos dela, que eram de Zeca Baleiro, nem dela eram. E Dindinha. Só que a primeira pessoa era um amigo que me conhecia ao vivo, me ouvia cantar, acertar as notas e desafinar, arranhar o violão, gritar de raiva e paixão. Mas você, como você me descobriu assim? Um quê de Ceumar? De onde veio esse quê que chegou até aí? Aí penso que coisas como sintonia e entendimento podem aparecer de qualquer maneira. Olhando, lendo, vendo foto ou tendo o movimento, tanto faz. A gente pode sim captar o outro. De um montão de jeitos.
Mas queria te contar das imagens projetadas no palco mudando a cada música, a iluminação perfeita, as folhas secas no chão, Dante Ozzetti dando o tom Dante-Dante-Dante pra todas as músicas, os pés de Ceumar de fora. E aí fica a impressão de que Ceumar é toda tão de fora quando canta... Tá me entendendo? Eu sei que sim. A produção tão simples do show de ontem, que foi inclusive, gravado pela TV Sesc, me emocionou. Tudo foi lindo. Platéia quietinha, de fim de domingo. Eu era uma das únicas que batucava nas pernas com as mãos e me sacudia na cadeira.
Esse novo álbum - Achou! - demorou no meu entendimento. Eu que já estava acostumada com uma Ceumar chacoalhando tudo nas músicas, perceber uma quase Ná Ozzetti causou um estranhamento na primeira vez que ouvi. Mas depois, percebendo uma música aqui, pinçando outra ali... menina, quanta delicadeza!
Na platéia, quase do meu lado, Luiz Tatit, o compositor de boa parte do repertório desse novo cd. E isso explica a semelhança com Ná. Dante nos arranjos também colabora bastante pra esse tom mais lentinho, quase "mais introspectivo" como Ná, mas não chega a ser.
Eu queria que ouvisse Alguém Total. Partidão. Prá Lá. E me dissesse, quando quisesse, quando desse vontade, o que te tocou. Já te avisei, é uma Ceumar diferente.

Promete que me conta?

Te mando uma foto (que tirei encabulada lá do meu lugar, muito muito discretamente - porque não gosto de desobedecer esses não-podes, não gosto de burlar esse tipo de coisa, porque senão vira coisa normal não respeitar essas proibições, vira esculhambação, o povo se empolga e daqui a pouco tá todo mundo deixando os artistas do palco como Huskis Siberianos zonzos de tanto flash na cara... não acho legal, de verdade).
Nem ficou boa. É só um recorte. Espero que goste.



Um beijo, minha Dondinha,
sua Dindinha.

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Minhas lindas,

Saudade.

Faz tempo que não escrevo, né? Faz tempo que ninguém escreve. Aí, Tatit disse que a gente podia mandar bilhetinhos pelo menos. Pois então.

Ainda estou me recuperando das festas de fim de ano. Não das festas em si, mas de todos os tantos sentimentos relacionados às mesmas. É que é muito tudo. Uma mistura de euforia e melancolia, que nunca dá certo. Ou dá. Porque continuamos aqui, firmes e fortes. E prontos pra mais um Carnaval. Ah, o Carnaval, o Carnaval.

Tu devia vir encontrar a gente, Tatit. Vanvan chega dia 20, que é quando começa MEU Carnaval. Assim, oficialmente. Porque sexta passada já fui pro Ensaio de Abertura com Naná Vasconcelos e três nações de Maracatu. Bonito que só. Tava cheio de gente e o clima já era dos dias de Momo. No sábado, a gente foi pra Casa da Rabeca e viu uma dança do Maranhão chamada Tambor de Creoula. Adorei, adorei, adorei. As moças têm umas saias lindas, que já quero copiar pra fantasia. Só preciso arranjar uma costureira boa e barata.

Ainda não me mudei pra casa nova, por falta de verba. Falta comprar isso e aquilo. Falta levar umas coisas do outro apartamento pra lá... Mas, agora tá mais perto que longe e eu fico morta de ansiosa por causa das responsabilidades. Acho que vocês entendem. As duas.

Ei, depois vocês vêm me visitar? Já pensou, nós três tomando café e falando da vida, num mesmo DDD? (Tô pensando em ir pra Sampa, Van. Lá pra maio ou quando conseguir tirar férias. Bora?)

Ia contar aqui das minhas resoluções de ano novo, mas isso nunca dá certo mesmo. Então, a gente vai conversando no caminho, que assim é melhor.

Amo vocês.
=*

sábado, 10 de novembro de 2007

Do amor e das distâncias.

Amizade é amor mesmo, tem jeito não. E sabe, eu te amo, e te amo tanto! Meu querido, os poucos momentos em que estivemos juntos foram tão intensos e tão profundos e tão significantes que não precisaria de Cazuza, ou Teenage Fanclub, ou qualquer White Stripes pra ilustrar o encontro. Assim como não precisou. E ontem li seu mais novo depoimento no orkut pra mim e me emocionei. E escorreu uma lagriminha, confesso. Aquele final é tão lindo... "puta que amizade do caráleo... to chegando ai. em janeiro. de vez. (pula uma linha) apaga." Não apago, porque é lindo demais. Pareço um cubo de gelo às vezes, eu sei. Dá a impressão de que nada me afeta, que a pedra que sou é muito maior do que qualquer coisa que possa me ameaçar, mas não é verdade. Tenho lá minhas inseguranças também, meus medos. Eu nunca fujo, como você revelou ter fugido, mas nos momentos mais delicados de medo costumo ser omissa e me esconder debaixo de uma casca de indiferença.
Mil coisas aconteceram comigo, mas tudo o que foi é quase nada se comparado ao que está por vir. Não te conto, não conto pra ninguém, as pessoas só saberão quando a mudança já estiver se perpetuado de vez. Mas que bobeira é essa? "De vez"? Nunca nem nada é tão "de vez" assim, não dá pra ser, por mais que às vezes queremos, não é?
Eu torço tanto por você. Em Natal, em São Paulo, em Londres... não importa. O nosso vínculo é muito foda e não se romperá, nunca, que eu sei.
Estou ouvindo agorinha Nouvelle Vague cantando Teenage Kicks. Minha nova paixão, que nem é tão nova assim. Fui ao show da banda aqui em São Paulo e chorei. São uns franceses lindos que fazem versões bossa nova de um repertório pop-rock incrível dos anos 80/90. Baixa, você vai viciar.
Eu preciso arrumar meu quarto e o armário, quarta-feira Hugo e eu chegamos de Salvador com uma mala cheinha de roupas imundas que só saíram do varal hoje.

Eu te amo. E isso basta e preenche qualquer distância.
Não esquece.

Tatit.

terça-feira, 30 de outubro de 2007

Do lado de cá

Meninas queridas,

há dias que não escrevo, nem para vocês nem para ninguém. Aliás, escrevo, mas os meus textos de trabalho. Só. Ando numa correria de dar pena até em mim mesma. Saudades de vocês duas. Nem uma conversa por MSN conseguimos ter nesses últimos tempos. Nem é por falta de assunto, mas de minutos para redigi-las. Cortei meus cabelos no fim de semana. Curtos, curtinhos. Fiquei com cara de intelectual, segundo uns, chique, de acordo com outros. Só sei que é mais fácil de pentear e a raiz clara já denuncia que o meu pretinho básico não é natural. Acho que vou deixar ele ficar da cor que é. Por enquanto.

Tatit, queria saber do teu recasamento. Nem te falei da emoção da tua carta ao teu pai. Linda. Como tudo em ti. Cadê as fotos? Manda? Briza, como está a vida? E a casa? Já é nova? Tantas coisas por aqui, vontade de ir e não mais voltar, de descobrir as coisas do lado de lá. Coragem é coisa que nunca me faltou e ontem me disseram que me acompanham. Confesso que fiquei meio assim. Porque sempre sou eu a acompanhar, sabe? Alguém que acredite assim em mim, que me mande ir que vai junto... esse era papel meu. Tão moderna e tão amélia... eu acho que eu vou. Nem sei pra onde ainda, mas vou. Vocês vão me visitar?

Essa semana tem feriadão. Decidi que não vou mais planejar nada. Nem viagem, nem saídas, nem dormir até tarde, nem nadica. Vou deixar acontecer. Ando ansiosa, isso não é bom. Medo de virar controladora, de viver fazendo check list com as pessoas. Eu não sou assim de verdade. Mas também não quero me tornar. Porque eu acho que a gente em alguns momentos escolhe aquilo que quer ser, né? Eu acho. No mais as coisas vão bem. Compramos sofás novos, cor de chocolate e agora eu tou atrás de almofadas confortáveis em dois tons de amarelo para combinar com as paredes e a mesinha de centro. Eu gosto dessas coisinhas e tou adorando ver Tv deitada como na casa de mainha.

Tatit, vi outra foto da Nara de matuta. Que gostosura, tu já viu Briza? Deu foi saudade de quando eu era menina no interior e ia pras festas de rua, com aquelas barraquinhas de pescar prendas, maçã do amor que grudava nos dentes e roda gigante. Era uma felicidade quando chegava parque na cidade! Por falar em memória de infância, ganhei de naiversário um livro lindo que devorei no fim de semana: "O velho que acordou menino" de Rubem Alves. Cada linha é uma saudade de casa, uma lembrança de um cheiro, de um rosto, de um toque na terra... leiam, leiam, se quiserem eu empresto.

Eita. Tenho que ir. Telefone tocando, tenho reunião. Ah, eu agora tenho uma caixa postal, vocês podem me mandar cartas lá com essas letras lindas. Anotem aí:

Caixa Postal 3722
CEP: 60035-970
Fortaleza - CE

Um beijo bem grande!
Van